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Argentina: último ano da gestão Macri começa entre crises e greves nacionais

Foto do escritor: Janaína de Oliveira
Janaína de Oliveira
2 de jul. de 2018
2 min de leitura

Atualizado: 22 de mai. de 2019


BUENOS AIRES - O número três parece não dar sorte aos argentinos, nem no futebol. Nos últimos meses, três grandes discussões afetaram a rotina da nação vizinha. Na economia, o fantasma da recessão possui nome e endereço, Fundo Monetário Internacional (FMI). Na área dos direitos civis, o parlamento começa a discutir a legalização do aborto. No futebol, o país faz história sendo o segundo time a marcar três gols e ainda assim ser eliminado da Copa do Mundo.


[CLARIN DIARIO]

Em resposta à onda de má sorte e, principalmente, à queda de popularidade das políticas do presidente Mauricio Macri, a população organizou-se em três greves nacionais. Sem aeroportos, ônibus, metrôs, comércio ou até expediente de trabalho, os argentinos responderam contra o que mais os incomoda, viver em instabilidade econômica. No país, os mais novos receberam, quase por transmissão genética, a memória traumática de cinco crises econômicas que ocorreram cinquenta anos atrás.

Para entender a atual crise cambial é preciso estar atento às relações entre política e economia na Argentina. Neste caso, foi a valorização global do dólar que intensificou as dívidas do país e fez Macri pedir um socorro de 50 bilhões de dólares ao FMI. Mas antes do dólar chegar ao valor de 30 pesos, o governo já tentava fazer reformas e reajustes internos para conter as consequências de uma severa seca que inflacionou o preço dos alimentos e diminuiu as expectativas de ganho com exportações.

Nas redes sociais, Macri respondeu que ao contrário dos grevistas, ele trabalhou na Casa Rosada. A mensagem foi interpretada como ríspida.

Na área de direitos civis, grandes manifestações feministas impulsionaram a discussão e aprovação da legalização do aborto, até a 14ª semana de gestação, por deputados federais. A pauta é considerada polêmica e o projeto de lei ainda será discutido no Senado, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) já parabenizou o país pela iniciativa e recomenda que a aprovação da legalização poderá diminuir o número de abortos e zerar a quantidade de mortes femininas em centros médicos ilegais.

A jornalista argentina Bárbara Hardy, em entrevista ao blog CORRESPONDENTE, opinou sobre o último ano da gestão Macri e como as mulheres e homens argentinos tem enfrentado tantos desafios.


Nesse toma-lá dá-cá reformista, Macri percebeu-se, pela primeira vez, impopular até entre sua base política. Nesse sentido, o dinheiro do FMI até pode equilibrar os problemas econômicos do país por alguns meses, mas caso tente reeleição nas eleições gerais de 2019, Macri e os demais candidatos precisarão explicar como o empréstimo e os juros do FMI serão pagos. Para isso, será preciso criatividade para prever cenários que evitem uma recessão econômica.

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