top of page

Paraguai: Mario Abdo Benítez, conservador e filho da ditadura, vence eleições com discurso de contin

Foto do escritor: Janaína de Oliveira
Janaína de Oliveira
25 de jun. de 2018
2 min de leitura

ASUNCIÓN - Em abril, o Paraguai foi a segunda nação latino-americana a realizar eleições presidenciais em 2018. Na contagem dos votos, o Partido Colorado, que domina a política paraguaia há 70 anos, conseguiu eleger Mario Abdo Benítez (ou Marito), com 46,6% dos votos. Contudo, a diferença contra Efraín Alegre (42,73%), foi de apenas quatro pontos percentuais, cerca de 94.000 votos.


[Assessoria/ANRParaguay] 'Marito' Abdo Benítez em campanha no Paraguai

Marito recebeu o título de "filho da ditadura" pela imprensa internacional, porque seu pai, também chamado Mario Abdo Benítez, foi secretário particular do ditador paraguaio Alfredo Stroessner. Naquela época, enquanto Argentina, Brasil e Uruguai já haviam recuperado a democracia, o ditador resistiu no poder até 1989. Assim, o Paraguai foi o último país da América Latina a dar fim à ditadura. Mario pai, morreu em 2013 livre de várias acusações de corrupção.


[AFP/Norberto Duarte]

Propostas de governo

As promessas de campanha de Marito não fogem à tradição conservadora. Ele disse que manterá inalterado o modelo econômico, que deu ao Paraguai quase uma década de 'crescimento' ininterrupto. Além disso, Abdo propôs lutar contra a corrupção com reformas radicais na Justiça e, para evitar o consumo de drogas e diminuir os índices de violência, ele pensa em tornar obrigatório o serviço militar para filhos de mães solteiras.


O Paraguai é um dos países mais conservadores do continente, um exemplo é a proibição do aborto mesmo em caso de gravidez em menores de idade por estupro. “Acredito nos princípios bíblicos, no Gênesis e acredito na família”, disse Mario várias vezes em discursos de campanha. Ele afirmou que vetará qualquer tentativa de promover o casamento igualitário ou a legalização do aborto.

Língua guarani

Falado por 8 milhões de pessoas na América do Sul e mais de 5 milhões no Paraguai, a língua guarani foi fundamental na corrida eleitoral de 2018. Pela primeira vez, instruções como marque aqui também foram escritas em guarani, "Ehai ko'ápe", nas cédulas eleitorais presidenciais. Até então, todas as votações, assim como a maioria das comunicações escritas no país, eram feitas apenas em espanhol.


[Tribunal Superior de Justicia Electoral del Paraguay]

O guarani e o espanhol são as línguas oficiais do Paraguai desde a Constituição Federal de 1992. Durante as campanhas, candidatos à presidência não fluentes em guarani tornaram-se memes na internet, como Santiago Peña, representante do último presidente eleito, Humberto Cartes.

Comentários


©2018 criado por Janaína de Oliveira. Todos os direitos reservados.

bottom of page